Traficantes e milicianos são responsáveis por um a cada três assassinatos no Rio

O crime organizado é responsável por um terço das mortes violentas na Região Metropolitana do Rio. A conclusão é de um estudo inédito, obtido pelo EXTRA, feito com base em informações de 400 inquéritos da Polícia Civil sobre mortes violentas — homicídios dolosos (intencionais), roubos seguidos de morte, lesões corporais seguidas de morte e homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial — ocorridas em 2014.

O objetivo da pesquisa, feita pelo cientista social Renato Dirk, mestre em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE, e pela policial civil Lílian de Moura, lotada na Corregedoria da corporação, era descobrir as principais motivações de assassinatos no Grande Rio. Juntos, tráfico de drogas, milícias e grupos de extermínio motivam 29,7% dos assassinatos.

As mortes que têm ligação apenas com quadrilhas que controlam o comércio ilegal de entorpecentes, no entanto, lideram o ranking feito pelos pesquisadores: 21,4% do total de vítimas. Homicídios durante operações das polícias Civil e Militar, os antigos autos de resistência, vêm em seguida, com 14,3% do total. A pesquisa ainda concluiu que nove em cada dez mortes em operações policiais são cometidas por policiais militares.

Já a terceira motivação mais comum é a fútil — brigas, discussões, vinganças ou dívidas contraídas por uma das partes. Assassinatos cometidos pela milícia ou grupos de extermínio estão na quarta posição, com 8,4% das vítimas.

Para chegar ao resultado, a dupla de pesquisadores analisou relatórios de investigação e depoimentos de todas as pessoas ouvidas em inquéritos das Delegacias de Homicídios da capital, da Baixada Fluminense e de Niterói e São Gonçalo sobre mortes de 447 vítimas, sorteadas aleatoriamente. Nem todos os inquéritos analisados foram concluídos. Nas investigações sem desfecho, os pesquisadores procuraram informações que indicassem qual a motivação do crime. Em 32% dos casos, entretanto, não havia indícios do que havia causado o assassinato.

Guerra, dívida ou vingança

No último dia 28 de junho, traficantes da Favela do Muquiço, em Guadalupe, invadiram a Palmeirinha, comunidade vizinha, dominada por uma facção rival. A 30ª DP (Marechal Hermes) investiga se, antes do ataque, os bandidos se reuniram num galpão abandonado próximo a estação de trem de Deodoro e posaram para fotos com fuzis, vestidos com uniformes do Batalhão de Choque da PM. Desde o início do ano, a guerra entre as duas facções já fez pelo menos quatro vítimas.

Confrontos como esse, entre grupos rivais, correspondem a um total de 12,5% das mortes motivadas por causas ligadas ao tráfico de drogas. A pesquisa ainda conseguiu detectar outras duas motivações possíveis dentro dos crimes envolvendo tráfico: dívidas entre traficantes ou de usuários com criminosos (16,6%) e vingança (5,2%). Somadas, as três causas correspondem a um terço do total dos casos. O estudo também concluiu que 37% do total das vítimas de assassinatos tinham algum envolvimento com drogas, sejam elas traficantes ou usuários.

Os pesquisadores admitem que assassinatos motivados pelo comércio ilegal de drogas podem corresponder a uma fatia maior do que o levantado, já que casos envolvendo crime organizado, pelo medo de testemunhas colaborarem com a polícia, têm menor índice de resolução.

Fonte: Extra
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