De surpresa, militares ocupam 22 locais do Grande Rio

Ao todo, estão mobilizados 10 mil homens e mulheres — 8,5 mil das Forças Armadas, 620 da Força Nacional e 1.120 da Polícia Rodoviária Federal

 

Bem que o ministro da Defesa, Raul Jungmann, avisou que as ações das Forças Armadas no Rio seriam feitas de surpresa. Ontem, por volta das 14 horas, subitamente começaram a surgir soldados de farda verde-oliva, com blindados, em 22 pontos da Região Metropolitana, inclusive no entorno do Complexo do Chapadão, em Costa Barros, um dos quartéis-generais do crime organizado. Com um decreto presidencial em edição extraordinária do Diário Oficial, começou a operação de tropas federais para combater a escalada da violência no estado. Ao todo, estão mobilizados 10 mil homens e mulheres — 8,5 mil das Forças Armadas, 620 da Força Nacional e 1.120 da Polícia Rodoviária Federal.

Na Avenida Brasil, militares ocuparam diversos pontos, em alguns parando carros ou motos. Até em passarelas, os soldados fizeram patrulhamentoMarcio Mercante / AG. ODIA

Nesta primeira etapa, chamada de ‘O Rio quer Segurança e Paz’, os agentes realizaram ações de reconhecimento e ambientação. As tropas se posicionaram no Arco Metropolitano, na saída da Ponte Rio-Niterói, nas linhas Vermelha e Amarela, Ilha do Governador, em São Gonçalo, no Centro e na orla do Rio. Soldados também patrulharam as passarelas sobre a Avenida Brasil. Nas ruas, a chegada dos militares foi comemorada. “Finalmente, acho que vai dar um alívio. Está demais. É muito roubo de carro nessa área”, disse um morador da Pavuna ao ver as tropas em um dos acessos ao Chapadão.

Segundo Jungmann, o elemento surpresa é aspecto essencial ao plano e os locais de patrulhamentos e ocupações não serão informados com antecedência. “O objetivo é golpear o crime organizado, e não apenas criar uma sensação de segurança”, pontuou.

Em frente ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro, dois tanques ficaram de prontidão na tarde de ontemDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

A integração entre as forças de segurança deve seguir o modelo empregado durante a Olimpíada. O comandante da operação, o general da 1ª Divisão do Exército, Mauro Sinott, explicou que as tropas vão aproveitar instalações do Exército já existentes: a 9ª Brigada da Vila Militar; a Artilharia Divisionária, em Niterói e São Gonçalo; a Marinha do Brasil, na região Centro Sul; a Brigada Paraquedista, na Zona Oeste; e a Aeronáutica, na Ilha do Governador. “O princípio é o máximo de sinergia com economia de recursos”, disse o militar. O ministro Jungmann já havia reclamado do alto custo na ocupação do Complexo do Maré, onde foram gastos R$ 400 milhões.

O ministro da Defesa ressaltou que é a primeira vez que uma operação de Garantia da Lei e da Ordem — recurso constitucional utilizado 29 vezes desde 2010 — é formatada desta maneira e que outros estados podem receber planos semelhantes. “O Rio de Janeiro é o Brasil e o Brasil é o Rio de Janeiro. Não é exclusividade o que se vive aqui, é um problema de todos os estados brasileiros”, afirmou.

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, destacou que a operação começa na fronteira do Brasil, onde agentes da PRF atuam no patrulhamento das entradas para o país. “As operações especiais são para desde lá cortar o fluxo do comércio ilícito”, explicou Torquato.

Militar monta guarda na Enseada de Botafogo, na Zona Sul, que recebeu soldados por toda a orlaMauro Pimentel / AFP

Índices de violência disparam

O aumento dos índices de crimes violentos, como homicídio doloso, mortes decorrentes de oposição à intervenção policial, latrocínio (roubo seguido de morte), roubos de carga e veículos justificam a ofensiva dos militares contra os criminosos em pontos estratégicos do estado. Os dados do primeiro semestre foram divulgados ontem, mesmo dia da mobilização da tropa, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

A estatística compara os números do primeiro semestre do ano passado com os deste ano. Os homicídios dolosos, por exemplo, subiram de 2.472 para 2.723, aumento de 10,2%. Já os homicídios decorrentes de oposições às intervenções policiais dispararam em relação ao mesmo período de 2016. Saltarem de 400 registros para 581, atingindo o maior percentual (45,3%), entre os índices analisados.

O roubo de cargas pulou de 4.148 para 5.179, aumento de 24,9%. A escalada dos números também é observada nos roubos de veículos. Se nos seis primeiros meses do ano passado chegaram a 19.633, no primeiro semestre de 2017 somaram 27.534, registrando um acréscimo de 40,2%. Enquanto isso, a apreensão de armas com criminosos diminuiu de 4.685 para 4.399, queda de 6,1%.

Para PRF, reforço nas rodovias do estado já surtiu efeito

O superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Rio, José Roberto de Lima, comemorou o fato de não ter sido acionado para nenhuma ocorrência de roubo de cargas nas rodovias federais no estado, nos últimos 10 dias. Segundo ele, no dia 10 de julho, a PRF iniciou mega operação nas divisas dos estados que servem como rota para o Rio de Janeiro, prendendo 981 pessoas com materiais ilícitos que poderiam oferecer risco à segurança.

Apesar de os dados não levarem em conta possíveis registros feitos pelas vítimas em delegacias, isso evidencia, segundo ele, que os casos estão diminuindo, tendo em vista que pelo menos uma ocorrência era contabilizada diariamente. O governador Luiz Fernando Pezão afirmou, após encontro da cúpula da Segurança do Rio com os ministros da Defesa e da Justiça, no Palácio Guanabara, que a população vai perceber um aumento na presença de agentes públicos da área de Segurança, incluindo militares das Forças Armadas, realizando patrulhamento ostensivo em todo o estado para combater o roubo de cargas. Pezão, que voltou a cobrar punições mais rigorosas para criminosos que utilizam fuzis em suas ações, garantiu que nenhuma comunidade será ocupada pelas forças federais.

 

Fonte: O Dia

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