COM MAIS DE 30 ANOS DE SERVIÇO, INSPETORES TEM A HISTÓRIA DA SEAP EM SUAS MEMÓRIAS

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No dia do inspetor penitenciário, eles relembram suas experiências ao longo dos anos

 

Eles são uma verdadeira biblioteca ambulante se falar em vivência e história da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). No rol dos mais antigos inspetores ainda em atividade, os inspetores Edson Alves de Araújo e Miguel Ângelo de Sousa Coutinho, ainda trabalham e são resistentes quando o assunto é pendurar as chuteiras e parar de trabalhar.

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Ambos vestem a camisa da Secretaria e se orgulham da profissão escolhida. Cada um em sua unidade prisional, em seus postos de serviço, viram a Seap passar de um departamento, o antigo Desipe, ligado a outra secretaria de Estado e se transformar em uma secretaria ligada diretamente ao Governo. Ao longo de suas carreiras, quase invisível para a sociedade, os inspetores viram complexos penitenciários nascerem, outros tantos importantes irem ao chão em implosões, presos políticos e até mesmo o nascimento de facções criminosas. A experiência vivenciada pelos dois é uma aula de história para leigos que não conhecem o sistema penitenciário.

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Com 36 anos de Seap e prestes a completar 70 anos no próximo mês , o inspetor Miguel Ângelo de Sousa Coutinho, tem 36 anos de atividade como inspetor. Já passou por várias unidades prisionais e conta, orgulhoso, que viu e participou da criação do Serviço de Operações Especiais (SOE). Orgulhoso de seu trabalho, ele lembra que na criação do grupamento. Sem material para trabalho, o servidor comprava seu próprio uniforme e usava sua própria arma. “Íamos no amor e no coração. Mandamos fazer nossa camisa, nossa calça e utilizávamos nossas armas pessoais”, lembra.

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E foi trabalhando no Soe que o inspetor Miguel, na década de 80, fazia o transporte dos presos do antigo presídio Cândido Mendes, da Ilha Grande para o continente e vice e versa. Nessas travessias, normalmente no veleiro utilizado somente para esse serviço, a lancha Tenente Loretti, conheceu criminosos e ouviu história da criação de uma facção criminosa. Nas travessias semanais ele conta que também ouviu também sobre presos políticos que estiveram no cárcere e fizeram história no período em que estiveram ali.
Do alto dos seus 36 anos de serviço, Miguel também lembra de como era o temido por internos estar no Complexo Penitenciário da Frei Caneca. Lotado na época na Penitenciária Milton Dias Moreira, ele presenciou a invasão de um helicóptero para resgatar um preso. Era a tentativa de fuga do traficante Paulo Roberto de Moura Lima, conhecido como Meio Quilo. De plantão no dia, lembra que se assustou com a situação. “Cheguei a ligar para a imprensa pensando que era helicóptero filmando algo. Mas era fuga e a aeronave caiu e pegou fogo com o traficante”, lembrou. Nos mesmos moldes de fugas, ele lembra de detentos que fugiram pendurados em cabos de aço do mesmo Milton Dias Moreira e da cinematográfica fuga do então traficante José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, da Ilha Grande. “ Ninguém esperava uma ousadia daquelas. Parecia cena de novela”, contou.
Nem tão antigo assim, mas com larga experiência na Seap e até hoje na atividade, o inspetor Edson Alves de Araújo, com 60 anos e 32 anos de matrícula, ainda vibra toda vez que vai para o trabalho e veste a roupa preta do Grupamento de Intervenções Táticas (GIT) no qual é lotado. Ex-militar da Marinha do Brasil, o inspetor também foi lotado no antigo Complexo Penitenciário da Frei Caneca e vivenciou ali tentativas de fugas, rebeliões e outras peculiaridades do sistema.
Alves lembra que quando deixou a Marinha foi convidado por uma amigo para ser um “agente de segurança do estado”. Ele conta que nem sabia que sua função seria inspetor penitenciário. Fez o concurso ao mesmo tempo para a Polícia Civil, mas preferiu o então Desipe.
Lotado na época no Frei Caneca, ele contou que chegou a chefe de turma e levou consigo grandes profissionais. “A minha equipe era composta de inspetores que davam problema em outras turmas. Aí o chefe da segurança do Frei Caneca na época, hoje subsecretário Sauler Sakalem, mandava trabalhar comigo porque dizia que eu ia dar um jeito. E assim fiz em todos os anos que passei lá. Formamos uma família”, contou acrescentando que a disciplina que aprendeu quando era militar da Marinha o acompanha até hoje.
Foi em um plantão à noite em um presídio do Complexo Frei Caneca que Alves começou a traçar e esboçar símbolos de forças de operações especiais sem nem mesmo sonhar que um dia seria essa equipe seria formada e que ele faria parte do GIT.“ Eu ficava no plantão desenhando caveiras com facas atravessadas e imaginava a força especial sendo criada”, lembra.

Com inspetor do Complexo Frei Caneca, ele recorda também das fugas mirabolantes e de maneiras inusitadas que criminosos faziam para entrar com materiais ilícitos nas unidades prisionais. “Na tentativa de fuga do traficante Meio Quilo, em meio a confusão coloquei visitantes para dentro da unidade e evitei que muita gente inocente ficasse ferida no momento em que o helicóptero caiu e pegou fogo. Soube depois pelos jornais que os traficantes agradeceram meu feito por ter protegido a família deles” , disse.
No GIT desde sua formação, Alves pensou que não conseguiria entrar para a unidade. “Quando vi o edital pensei que era coisa para super-homem mas mesmo assim fui lá, fiz a prova e passei em 14º lugar”. Alves também se emociona toda vez que é questionado se vai se aposentar ou deixar a secretaria. Para ele é quase uma religião vestir o preto e colocar todos os seus brevês no braço. “ Quando penso no meu preto, nos meus brevês e no meu trabalho me orgulho da camisa da Seap que visto. Me orgulho da minha farda e do me trabalho. Ser Seap está no sangue. É uma cachaça. Se eu sair daqui vou deixar um saudosismo e não sei o que farei da vida”, concluiu.

 

Fonte: SEAP

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